FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA THIAGO DE VARGAS GUIMARÃES FORTALECIMENTO DO CORE COMO BENEFÍCIO NO ALÍVIO DE DORES LOMBARES EM TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL Porto Alegre 2025 FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE TRABALHO DE GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA THIAGO DE VARGAS GUIMARÃES FORTALECIMENTO DO CORE COMO BENEFÍCIO NO ALÍVIO DE DORES LOMBARES EM TRABALHADORES DA CONSTRUÇÃO CIVIL Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Centro Universitário Ritter dos Reis como parte das exigências para obtenção do título de bacharel em Educação Física Orientador: Leandro André Fleck Porto Alegre 2025 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Levantamento de lesões e doenças não fatais na Construção Civil 10 Tabela 2 - Quantidade de Acidentes do trabalho com CAT registrada 11 Tabela 3 - Músculos superficiais do CORE 12 Tabela 4 - Músculos profundos do CORE 12 Tabela 5 - Ergonomia na Construção Civil 15 Tabela 6 - Exercícios de estabilização e lombalgia 16 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas BLS Bureau of Labor Statistics RS Rio Grande do Sul CC Construção Civil DORT’S Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho SUMÁRIO RESUMO ……………………………………………………...………………….......06 INTRODUÇÃO …………………………………………...…………………….........07 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................09 MÉTODOS...............................……………………………………..........…….......14 RESULTADOS...............................………………………………………...…........15 DISCUSSÃO...............................…………………………………………..............16 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................17 REFERÊNCIAS...............................…………………………………………..........18 RESUMO Introdução: Grande parte dos trabalhadores da Construção Civil refere dores lombares em função do esforço físico na demanda de trabalho e má postura decorrente da falta de consciência corporal. Objetivo: Compreender a importância do fortalecimento do CORE como um benefício contra dores lombares em trabalhadores da Construção Civil. Métodos: Não havendo a necessidade de elaboração de hipóteses a serem testadas, a metodologia adotada foi exploratória. Após a definição dos temas e objetivos, foi realizada a coleta de dados através de pesquisa bibliográfica e documental. Resultados: Estudos ergonômicos na Construção civil constatam a grande quantidade de lesões lombares decorrentes da postura de trabalho na CC. O treinamento de estabilização de CORE tem se mostrado efetivo para alívio e prevenção de dores lombares. Considerações Finais: A partir das evidências encontradas relativas a alta incidência de dores lombares ocasionadas pela atividade laboral, constatou-se que é possível diminuir dores e proteger os trabalhadores de futuras lesões através de um protocolo de exercícios de estabilização do core. PALAVRAS-CHAVE: Treinamento; CORE; Construção Civil; Dores Lombares; Ergonomia; ABSTRACT Introduction: a great proportion of workers in the civil construction complain of lower back pain due to the physical effort required by their work and also due to poor posture resulting from a lack of body awareness. Core training helps with force transfer and protects the spine by acting as a muscular belt during powerful movements. Objective: Understanding the importance of CORE strengthening as a benefit against lower back pain in Construction Workers. Methods: Na exploratory methodology was adopted, since there was no need to formulate hypotheses to be tested. After defining the subject and objectives, data were collected through bibliographic and documentary research. Results: Ergonomic studies in the civil construction setting confirm the high number of lower back injuries resulting from work posture in construction. Core stabilization training has been shown to be effective for relieving and preventing lower back pain. Final Considerations: Based on the evidence regarding the high incidence of lower back pain caused by work activities, it was found that it is possible to reduce pain and protect workers from future injuries through a protocol of core stabilization exercises. KEYWORDS: Exercises; Core training; Vivil construction; Lombar pain; Ergonomy; 1. INTRODUÇÃO Segundo Silva (2016) no cenário que se vislumbra atualmente, o homem passa 65% da sua vida dedicado ao trabalho. A maior parte das horas do seu dia são vividas no trabalho ou em função dele. Trabalhar na construção civil exige esforço físico bem maior do que a grande maioria das profissões. E, dentro do próprio tempo de obra, o mesmo trabalhador desempenha diferentes funções, afinal as tarefas realizadas em uma fundação (o início de tudo) mudam na etapa da ferragem, do concreto e dos acabamentos. A construção civil já é um ambiente mais propenso a acidentes, mesmo com todos os cuidados e tecnologias aplicadas através da segurança do trabalho. Em geral, trabalhadores estão expostos às intempéries do tempo, ruídos, poeira, produtos químicos denominados como fatores de exposição por Gomes (2011). Além destes, foram descritos pelo autor os riscos ocupacionais específicos de cada mão-de-obra. Independente da função, os trabalhadores do canteiro de obras precisam se locomover em terrenos instáveis, espaços reduzidos e carregar pesos. Diante deste cenário, estudos avançam para entender a ergonomia da função, que é a ciência que estuda a relação entre o ser humano e seu ambiente de trabalho visando otimizar o desempenho, a segurança e o bem-estar do trabalhador. A ergonomia era vista sob a concepção associada a postura inadequada e esforços repetitivos, porém na atualidade, a ergonomia preocupa-se com o conforto e a satisfação do trabalhador durante a sua atividade laboral, bem como a necessidade, importância e estabelecimento de equipamentos e instrumentos que assegurem a proteção e saúde do homem trabalhador no exercício de suas funções (Corrêa, 2015). Este mesmo autor elenca as variantes consideráveis que são: o homem, a máquina, a organização e as consequências do trabalho. Grande parte dos trabalhadores da construção civil refere dores lombares em função do esforço físico da demanda de trabalho e a má-postura decorrente da falta de consciência corporal. Apesar do grande avanço tecnológico, a construção civil ainda é uma das áreas profissionais que mais exige esforço físico. Não se trata apenas de levantar e sentar, mas de se posicionar das mais diversas formas para realizar as tarefas, muitas vezes carregando pesos como vigas, sacos de cimento, painéis, subindo e descendo escadas, manuseando pás e martelos. Acrescido a isso, ainda temos a realidade desta população, geralmente de baixa renda e que não têm acesso à alimentação adequada e uma boa noite de sono, que sabemos ser essencial para melhora na qualidade de vida. Mas a principal questão relacionada aos trabalhadores da construção civil é que eles estão mais suscetíveis a dores causadas por hérnias e dores causadas pelas exigências posturais do serviço. A dor lombar crônica não específica é um dos tipos mais comuns de dor lombar, englobando mais de 85% dos casos. (Shu; Li; Tao e Chen, 2021) e o objetivo dos exercícios de estabilidade do CORE é recriar a função normal, aumentando a estabilidade da coluna vertebral, o controle neuromuscular na região lombo-pélvica, induzir a rigidez inter segmentar e prevenir força de cisalhamento que causa lesões na coluna lombar (Huxel e Anderson, 2013). O CORE é um conjunto de músculos que estabilizam a região central do corpo e seu fortalecimento age diretamente na melhora do equilíbrio e transferência de forças. O fortalecimento dos músculos que constituem o “centro” é chamado de treinamento de estabilização central, o qual promove um regime preventivo e terapêutico, desenvolvendo o controle muscular necessário para manter uma estabilidade funcional e diminuir a incidência de lesões e desconforto no complexo lombo-pélvico, incluindo a região lombar. (O’Sullivan, 2000) Entendendo a ligação direta da ocupação laboral com as dores lombares que afastam muitos trabalhadores do campo de serviço, este estudo tem o objetivo de compreender a importância do fortalecimento do CORE como um benefício contra as dores lombares em trabalhadores da construção civil. 2. REFERENCIAL TEÓRICO: Com o objetivo de compreender e analisar qual a relação entre o fortalecimento do CORE como um benefício contra das dores lombares em trabalhadores da construção civil é preciso entender o contexto ergonômico da profissão, aprofundar- se no estudo do CORE, tanto em questões anatômicas e funcionais, como na aplicabilidade de um protocolo que pode contribuir para o alívio e prevenção das dores lombares. 2.1 - Ergonomia na Construção Civil A partir da análise de cada função dentro do canteiro de obras é possível relacionar quais as posturas que podem/devem ter atenção especial sob o ponto de vista ergonômico. A segurança do trabalho já realiza muitas ações que tornam o ambiente mais seguro em função de acidentes e consequentemente para a saúde do trabalhador. Mas é inevitável a exigência física constante neste tipo de trabalho. Estudos que envolvam a redução de força física e maquinário que facilite o transporte e execução de serviços são cada vez mais imprescindíveis. Francisco e Medeiros (2016) concluíram em sua análise ergonômica da Construção Civil que não existe preocupação por parte dos trabalhadores com as condições de trabalho, onde existente, centra-se apenas no aumento e pretensão salarial. A preocupação com a ergonomia é quase nula sendo necessário que o ergonomista, em caráter de urgência, adote as regras para orientações ergonômicas. 2.2 Relação da Ergonomia e Dorts (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) Segundo Medeiros (2013) após a década de 90 surgiu a definição DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). No Brasil, cerca de 65% dos diagnósticos de doenças ocupacionais são em função de DORTs. Mas qual é o papel do trabalhador como agente causador destas disfunções? A postura inadequada pode gerar sobrecarga muscular e articular aumentando as chances de lesões. Segundo Kendal et al. (2005) o alinhamento corporal adequado distribui as forças de maneira equilibrada, prevenindo tensões excessivas em determinadas regiões. Movimentos repetitivos e mal executados são os grandes responsáveis pela maioria das lesões. Estudos sobre aprendizado motor sugerem que a correção de padrões inadequados por meio de feedback sensorial reduz significativamente o risco de lesões (Schmidt & Lee, 2019). 2.3 - Distúrbios Músculos-esquelético e lesões em canteiros de obra Distúrbios musculoesqueléticos são um grupo de desordens dolorosas nos tecidos moles, segundo a Canadian Centre for Occupational Health and Safety (Coohs, 2013). Estatísticas no banco de dados do Bureau of Labor Statistics (BLS), entre 2011 e 2015, no setor da construção civil dos EUA, apresenta as lesões\doenças que mais afastaram trabalhadores da função foram: mão\pulso (40,15%), lesões lombares (29,50%) e ombros (20,47%). Este levantamento considerou apenas membros superiores. Tabela 1 Número de lesões e doenças não fatais envolvendo dias fora do trabalho. ANO LOMBAR BRAÇOS PESCOÇO MÃOS \ PULSO OMBROS 2015 1710 670 90 2140 4300 2014 2470 400 310 3770 890 2013 2190 470 80 3540 810 2012 2500 1050 250 3150 1360 2011 3020 540 120 3580 890 TOTAL 11890 3130 850 16180 8250 % 29,50 7,77 2,11 40,15 20,47 No Brasil, através dos registros do Ministério do Trabalho, no período entre 2013 e 2015 relatado no Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho observa-se grande incidência de acidentes decorrentes de doenças do Trabalho (DORT’s) como demonstrado na tabela 2. Tabela 2 SETOR Quantidade de Acidentes de Trabalho Com CAT registrada. Motivo: DORT 2013 2014 2015 Construção Civil 256 257 178 Fonte: Adaptado de AEAT (2015) 2.4 - O Core O CORE é um conjunto de músculos que atuam para a estabilização da região central do corpo (abdômen, pelve, lombar e quadril). Ele é composto de músculos profundos que atuam principalmente na estabilização e músculos superficiais que atuam na mobilização. No livro Low Back Disorders, Stuart McGill ressalta que “treinar core é menos sobre produzir movimento e mais sobre resistir a ele. A função do core é prevenir movimentos indesejados, estabilizando a coluna para permitir transferências seguras e eficientes de força”. No Atlas de Anatomia Humana de Frank C. Netter, o CORE é descrito como “o complexo muscular do tronco, incluindo a parede abdominal, os músculos paravertebrais e os músculos do assoalho pélvico, que trabalham em conjunto para manter a integridade postural e funcional da coluna. Principais Funções de cada músculo do CORE: Tabela 3 SUPERFICIAIS Reto abdominal Flexão da coluna vertebral e auxiliar na estabilização Oblíquos externos Rotação do tronco e flexão lateral Oblíquos internos Auxiliares dos oblíquos externos na rotação do tronco Quadrado lombar Estabiliza a pelve e auxilia flexão lateral da coluna Glúteo máximo Estabilização lateral da pelve e abdução do quadril Tabela 4 PROFUNDOS Transverso do abdômen Estabilização profunda do tronco Multífidos Estabiliza as vértebras Eretores da espinha Mantém a postura ereta e auxiliam a extensão da coluna; Psoas-ilíaco Realiza a flexão de quadril Diafragma Atua na respiração e estabiliza a cavidade abdominal; Assoalho pélvico Dá suporte aos órgãos internos e auxilia na estabilização do CORE. Segundo Paul Check (1992) especialista em fisiologia e treinamento funcional, “a função primária do core é estabilizar a coluna vertebral e a pelve durante o movimento, permitindo que a força gerada pelos membros superiores e inferiores seja transmitida de forma eficiente e controlada”. A estabilização e fortalecimento do CORE, mas é preciso entender que uma coisa não ocorre sem a outra. A partir do entendimento das ações de cada músculo que compõe o CORE podemos listar as principais funções dele: 1. Estabilização da coluna vertebral e pelve; 2. Transferência de força ça do centro para membros superiores e inferiores; 3. Responsável pelo equilíbrio e coordenação motora; 4. Proteção para deslizamento de vértebras; 5. É suporte para as atividades de vida diárias (AVDs) e esportivas; 6. Absorve impactos. 2.5 - A biomecânica do CORE - Controle Postural e Estabilização A ação sinérgica dos músculos do CORE age como um centro de controle da postura, reduzindo a sobrecarga que ocorre sobre a coluna nos mais diversos planos de movimentos. A ativação do transverso do abdômen e multífidus mantém o tronco ereto e estável durante caminhadas, levantamentos de pesos etc. “Os músculos do core desempenham papel fundamental na modulação das forças que atravessam a coluna, permitindo movimentos coordenados e eficientes, ao mesmo tempo que protegem a coluna de forças excessivas e lesões”. (Christopher M. Powers, 2010) 2.6 - Transferência de forças Não é exagero quando se diz que a força vem do centro, afinal o CORE conecta a parte inferior e a superior do corpo tornando os gestos motores mais potentes. De acordo com McGill (2009), “o core funciona como um elo vital entre a parte superior e inferior do corpo – a força gerada nas pernas deve ser transmitida por meio de um core estabilizado até a parte superior do corpo e vice-versa. Sem essa rigidez proximal, a mobilidade distal e geração de forças ficam comprometidas” (p.26). Este entendimento reforça a ideia de que o treinamento de core não se trata do fortalecimento do abdominal isolado e sim da capacidade de estabilização consciente e controle do movimento, essenciais para performance e prevenção de lesões. 2.7 - Proteção contra lesões O CORE ativo reduz os micros movimentos intervertebrais que podem resultar em hérnias e|ou protusões discais. Entendendo que este conjunto de músculos trabalhando ao mesmo tempo distribuem a força e diminuem a sobrecarga sobre determinado segmento, aliviando a tensão sobre ele. A verdadeira estabilidade da coluna é alcançada por meio de um equilíbrio entre mobilidade e rigidez, controlado principalmente pela musculatura do CORE. O treinamento deve buscar otimizar este equilíbrio, em vez de isolar os músculos. (Stuart MCgill, 2015). A fonte de dados relativa a todos estes aspectos é muito ampla sendo necessária a leitura e organização de fontes diversas para facilitar o entendimento do tema como será descrito a seguir. METODOLOGIA O presente trabalho foi concebido a partir da pesquisa realizada em bases de dados eletrônicos como PubMed, Google Acadêmico e SciELO a partir de descritores e palavras-chave como “fortalecimento do core”, “dor lombar”, “trabalhadores da construção civil”, “prevenção de dores lombares” e “ergonomia”. A metodologia deste trabalho será uma pesquisa bibliográfica, na forma de revisão de literatura à procura de autores que já discorreram sobre o tema como, por exemplo, Gonçalves, Aluko, Akuthota e Nadler, entre outros. A revisão de literatura neste trabalho tem caráter exploratório (identificando teorias, evidências e práticas), qualitativo (para compreensão dos conteúdos) e descritivo (apresentando os achados de forma clara e sistematizada). Segundo Lakatos e Marconi (2003, p.27), “método científico é o conjunto de atividades sistemáticas racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo - conhecimento válido e verdadeiro”. Como critérios de inclusão foram selecionados artigos em português ou traduzidos que abordassem a relação existente entre fortalecimento do core e a prevenção ou alívio das dores lombares, a ergonomia na construção civil, além de fatores de risco de lesões lombares em contexto laboral. Foram excluídos artigos duplicados, que descontextualizassem a discussão ou que envolvessem os estudos de população clínica específica (portadores de doenças diversas não causadas por esforço laboral). Para a elaboração deste trabalho foram selecionados 13 artigos com referência de trabalho de core, 11 artigos sobre dores lombares relacionadas às funções laborais, 6 artigos sobre ergonomia na construção civil e 2 artigos com levantamentos de dados das lesões mais comuns na construção civil. 31 artigos foram excluídos pelos motivos citados acima. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa e descritiva, identificando os principais achados, evidências, tendências e recomendações apresentados pelos autores e relacionando ao impacto do fortalecimento do core na saúde da coluna lombar dos trabalhadores da Construção Civil. Ao final do processo o leitor terá acesso a informações atualizadas e consistentes acerca do tema proposto. RESULTADOS A seguir, em forma de tabela, serão apresentados os resultados dos artigos mais referenciados neste trabalho. Ergonomia na construção civil Tabela 5 Autor(es) - Ano Palavra-chave Resultado Principal ALMEIDA, Isabel GALVÃO, Verena L. 2010 Dor Lombar Construção civil Elevada prevalência de lombalgia acometendo percentual significativo de trabalhadores da C.C. PEREIRA, Cinara CDEBIASE, Deborah F. FARIAS, Joni M. de MADEIRA, Kristian LONGEN, Willians C. 2015 Risco ergonômico Lombar Construção Civil Aspectos atitudinais contribuem para o risco ergonômico ARAÚJO, Samya P. CARVALHO, Laise N. MARTINS, Erica S. 2016 Dor Lombar Incapacidade Funcional Construção Civil 71,4% dos trabalhadores referem dores lombares DUARTE, Karen K da SCAVAIGNAC, André L 2018 Doenças Ocupacionais Maiores achados de doenças na região lombar e ombros SILVA, Felipe Alves KRIEBEL, Werner OLIVEIRA, Acly N.S. de SALOMÃO, Pedro E. A. 2019 Ergonomia Construção Civil Colaboradores estão expostos a riscos ergonômicos STRADIOTO, Juliano P 2024 Ergonomia Construção Civil É necessário desenvolvimento de ferramentas de análise ergonômica Exercícios de estabilização e lombalgia Tabela 6 Autores Ano Palavras-chave Resultados Reinehr, Carpes, Mota 2008 Estabilização de core e lombalgia Após 20 sessões de exercícios de estabilização houve diminuição significativa no público acompanhado Volpato, Fernandes, CArvalho, Galace 2012 Lombalgia crônica e reabilitação exercícios de estabilização de core promoveram melhora na dor e incapacidade em indivíduos com dor lombar crônica Suárez, Mohedo, Porqueres, Garcia 2012 Atividade Física e dor lombar exercícios de estabilidade de core melhoram a dor lombar e aceleram retorno às atividades físicas Korelo, Ragasson. Lerner 2013 Capacidade funcional e core Na escala visual anal[ogica (EVA) redução de dor no 1º dia de intervenção e melhora na capacidade funcional após 3 meses. DISCUSSÃO O objetivo deste estudo foi compreender a importância do fortalecimento do CORE como um benefício contra dores lombares em trabalhadores da Construção Civil. Foram encontrados artigos que corroboram com a ideia da importância do fortalecimento do core como sendo diretamente responsável pelo alívio de dores lombares ocasionadas pela posição laboral. Em relação à Construção Civil, mais especificamente, foi preciso estudar a ergonomia e as lesões mais comuns da profissão e relacionar com o tema de interesse. Estudos de Golshevder et al (2002) constataram que a dor lombar compõe o principal problema da construção civil. Marçal et al (2006) reforça que entre serventes e pedreiros ocorre alta incidência de lombalgia, além de queixas de dor em membros superiores e pescoço. Cordeiro (2002) relata que este setor tem baixo índice de renovação e formação de novos profissionais e as causas deste fenômeno são padrões de serviço de extrema dificuldade, desgastante e com pouca valorização tanto pela empresa quanto pela sociedade. Coenen et al (2013); Marras et al (2010); Seidler et al (2001) relatam que este tipo de trabalho repetitivo com o tronco severamente flexionado ao longo do dia levam o trabalhador a desenvolver forças cumulativas ao longo dos anos, aumentando o risco de desenvolver distúrbios na região lombar. Araújo, Carvalho e Martins (2016) relataram em sua pesquisa que foi encontrada alta incidência de dor lombar (71,4%) entre trabalhadores da Construção Civil, sendo mais frequente a manifestação durante a atividade laboral. O ponto pacífico é que todos os artigos relacionam a estabilidade do core à melhora do suporte da coluna, pois reduz a sobrecarga principalmente sobre as vértebras lombares, auxilia no controle do tronco e a transferência de forças. Esta estabilidade resulta em movimentos mais controlados e eficientes, ativando a musculatura necessária para cada posição, diminuindo a sobrecarga articular causadora de hérnias e de tantas outras disfunções. Foram encontradas evidências da influência da respiração controlada e consciente na ativação profunda do core, sendo esta essencial para o trabalho mais eficiente. Os principais exercícios entendidos como eficientes para esta linha de trabalho envolvem pranchas, pontes, dissociação de membros (dead bug, perdigueiro), torções controladas e movimentos em todos os planos com diferentes descargas de peso (propriocepção). Não foram encontrados artigos específicos que relacionassem core e construção civil, mas é possível visualizar o quanto este trabalho pode contribuir para a mudança necessária no entendimento da importância da atividade física como agente preventivo e reabilitador de lesões. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir deste estudo podemos afirmar que o trabalho de fortalecimento de core pode e deve ser aplicado em todos os trabalhadores da construção civil, pois sua eficiência é comprovada através de evidências incontestáveis. Artigos referem protocolos de 20-30min de exercícios específicos de estabilização e mobilização de core de 2 a 3x por semana como efetivos para o alívio de dores lombares e preventivos de lesões. Ainda não existem estudos que comprovem esta teoria específica, mas este trabalho pode ser um ponto de partida para alternativas que reduzem lesões, aumentem a qualidade de vida dos trabalhadores e diminuam os afastamentos decorrentes de doenças laborais que podem ser evitadas com uma mudança de hábito. REFERÊNCIAS BARROS, R. C. S.; GOMES, R. L. R. O exercício físico como ferramenta de motivação e produtividade no meio corporativo. Observatorio de la Economía Latinoamericana, n. 4, 2019. BELASIO, E. et al. From bench to bedside and to health policies: ethics in translational research. Clínica Terapêutica, v. 162, n. 1, p. 51–59, 2011. GOMES, D. P. Efeitos do treinamento de estabilização do core em indivíduos com lombalgia subaguda. Revista Brasileira de Reabilitação Funcional, v. 2, n. 1, p. 12– 18, 2021. HARRIS, C. Exercise training for core stabilization in tennis players: a randomized controlled trial. Journal of Sports Science and Medicine, v. 12, n. 3, p. 345–352, 2013. HIBBS, A. 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